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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mandioca e feijão são os vilões da inflação em Rio Branco.

A dona de casa Joana Assunção é quem faz a feira da família que mora na Vila Acre. Ela conta que a cada mês é mais difícil se alimentar bem. A culpa na opinião da dona de casa é do aumento dos preços e o que chama de “congelamento do salário”. Mãe de dois filhos, ela é casada com o pedreiro Audo Lima. “A feira que eu fazia com 400 reais por mês já custou 700 e agora acho que ultrapassa isso”, revelou.
Dona Joana tem razão, a inflação que assusta o brasileiro já é sentida no bolso do consumidor acreano. Uma família padrão composta por dois adultos e três crianças precisa de 982 reais para se alimentar durante todo o mês e ainda comprar produtos de higiene e limpeza doméstica. Os dados são do Departamento de Estudo e Pesquisa Aplicada a Gestão, do Governo do Acre. A mandioca e o feijão continuam com aumentos disparados.
O custo total da cesta básica em Rio Branco composta de 14 itens sem produtos de higiene e limpeza é de R$ 231,09.  A capital é a terceira no ranking de menor preço, atrás de Epitaciolândia [R$ 222,21] e Feijó [222,47]. Segundo a pesquisa, Feijó e Rio Branco, foram os únicos municípios que registraram redução no custo total da cesta, com taxas equivalentes a -4,53% e -1,96%, respectivamente. Mas em compensação, a maioria dos produtos que compõe a cesta de higiene pessoal registraram alta de preço, o mais expressivo foi o sabonete (2,84%).

A mandioca que vem tendo preço elevado desde setembro de 2012 voltou a registrar alta de 18,67% é encontrada nos supermercados da capital a R$ 1,89 o kg, uma variação positiva de 4,12% segundo a pesquisa. O feijão, o segundo vilão da cesta básica, foi pesquisado a R$ 6,55 o kg, uma variação de R$ 9,05%.
Quanto aos itens da cesta que tiveram recuo em seu preço médio, os que mais se sobressaíram foram o tomate (-13,95%) e a banana (-8,28%). O kg do tomate em Rio Branco baixou para R$ 4,6 e a dúzia da banana para R$ 2,61.
PREÇOS NO INTERIOR
Cruzeiro do Sul continua sendo a cidade que tem a cesta básica mais cara entre os municípios do interior: R$ 236, 42. Quando a pesquisa avalia uma alimentação de família padrão, o consumo vai para R$ 1.017,96. Mesmo assim, a pesquisa aponta redução em 10 itens em comparação com o mês de abril. Entre os produtos que tiveram preços mais baratos está o frango com queda de -3,67%. Na terra da farinha, a mandioca e o feijão continuam com preços elevados. A farinha de mandioca com elevação de (6,38%) e o Feijão (4,11%).
Veja o ranking das cidades com relação a Cesta Básica no Acre, menor preço:
1 – Epitaciolândia/Brasiléia – R$ 948,50;
2 – Feijó– R$ 970,65;
3 – Sena Madureira – R$ 973,11;
4 – Rio Branco – R$ 982,89;
5 – Cruzeiro do Sul – R$ 1.017,96.

Embrapa afirma que não falta oferta de farinha no Acre, mas uma mudança de mercado
O Boletim de preços e produtos agropecuários e agroflorestais do estado do Acre não aponta a falta de produção de farinha, pelo menos no Juruá. Pelo contrário, em 2011 foram produzidos 371,7 mil toneladas de raiz de mandioca nos municípios que compõem o Vale do Juruá, AC.
Caso tal volume fosse utilizado para a produção de farinha de mandioca (usando um fator de conversão de 25% de aproveitamento na transformação da raiz em farinha de mandioca), geraria uma oferta estimada de aproximadamente de 1,8 mil sacas de farinha de mandioca.
Considerando que o volume comercializado no mesmo ano foi de 245,3 mil sacas de farinha de mandioca, conclui-se que a oferta de matéria-prima para a produção de farinha de mandioca não está influenciando na alta do preço do produto observada nos últimos meses.
Como explicar o registro de preços históricos no início de 2013?
O mesmo estudo aponta que a redução da produção acontece nas regiões norte e nordeste e foram os principais fatores que contribuíram para o aumento do preço do alimento no Acre. Ou seja, a farinha produzida principalmente em Cruzeiro do Sul está saindo para outras regiões produtoras do país. Em 2012, o Amazonas se manteve como o principal comprador de farinha de mandioca da região, adquirindo 174,5 mil sacas de 50 kg, correspondente a 79% de toda a comercialização do produto realizada para outros estados.

No total, aproximadamente 221 mil sacas de farinha foram comercializadas para outros estados em 2012, segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda do Estado do Acre – Sefaz/AC.

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