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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Avanços na área de saúde diminuem tempo de espera por TFD

Os serviços de saúde oferecidos pelo programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) vêm crescendo consideravelmente no Acre e melhoram o acesso aos que necessitam desse tipo de atendimento. O aumento da oferta dos serviços facilita o diagnóstico e evita o deslocamento dos pacientes para outros centros, proporcionando mais comodidade.


Ediná Monteiro, gerente do TFD, explica que o governo do Acre amplia ações de saúde para oferecer melhores condições aos pacientes, implantando serviços que atendam à necessidade da população para reduzir o tempo de espera por atendimento no Estado. “Não pensamos em redução de custos, até porque precisamos pagar pelos procedimentos contratados. O que o governador quer é que o paciente tenha acesso aos serviços sem precisar esperar muito tempo. Até a recuperação é mais rápida quando se está no seio familiar. O bem-estar do paciente é a prioridade”, garante Ediná.
Ela destaca ainda que, do total de pacientes encaminhados todos os meses para Tratamento Fora de Domicílio, cerca de 40% vai realizar a primeira consulta e os outros 60% são pacientes que precisam fazer acompanhamentos periódicos. “A parceria do governo do Acre com profissionais de outros Estados traz conforto ao paciente porque lhe dá a possibilidade de fazer o tratamento perto da família e economia aos cofres públicos, já que os profissionais não vêm aqui fazer só um procedimento. Primeiro nós identificamos a necessidade e depois contratamos os serviços”, esclarece a gerente.
Parcerias
A parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) possibilitou que as filas para prótese de joelho e de quadril fossem praticamente zeradas no Acre. Atualmente, o tempo médio de espera é de seis meses. De acordo com o anestesista e coordenador do projeto suporte da equipe José Luis Ramalho na sede do Into, no Rio de Janeiro, a espera para esse tipo de cirurgia chega a ser mais de quatro anos. Só em 2012 a equipe do Into realizou cinco mutirões de cirurgia no Estado.
Outra ação que merece destaque é o trabalho da equipe do Hospital Real Português de Pernambuco, referência no país na área de cirurgia cardíaca e que vem ao Acre cerca de três vezes por ano para realizar implantação e avaliação de marcapasso. Na última visita da equipe, foram avaliados cerca de 300 pacientes que usam o aparelho. Em março de 2012, a equipe começou a realizar cirurgias cardíacas e 56 pacientes já foram atendidos com procedimentos de revascularização do miocárdio - ponte safena -, entre outros.
A equipe encontra-se em Rio Branco realizando a primeira cirurgia de aneurisma da aorta - inchaço ou alargamento irregular de uma porção de uma artéria causado por fraqueza nas paredes dos vasos sanguíneos. Apesar da complexidade, não houve necessidade de se encaminhar o paciente para outro Estado.

Pode-se citar ainda o programa Saúde Itinerante Cuidando dos Seus Olhos, durante o qual foram realizadas desde consultas oftalmológicas a cirurgias de catarata, pterígio, dacriociste - infecção da pálpebra inferior - e descolamento de retina.
“Todos esses serviços contribuíram para a resolutividade do problema de saúde de muitas pessoas, além de diminuir a espera para atendimentos nessas especialidades”, diz Ediná.
Implantação de serviços
As especialidades com maior demanda do programa de TFD no Acre são cardiologia, ortopedia, neurologia e oncologia. Cada paciente permanece em média de 5 a 15 dias nos locais de atendimento. Essas especialidades já estão sendo oferecidas no Acre pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como a cintilografia óssea, transplantes de córnea e rim, cirurgia de hérnia a laser e neurocirurgia - aneurisma cerebral e tumor cerebral -, representando avanço na oferta de serviços de média e alta complexidades mais perto da população do Acre.
Hoje não há pacientes aguardando exames como cintilografia e cateterismo, além da implantação de marcapassos e acompanhamento dos pacientes que usam o aparelho. “Só são encaminhados pacientes com cardiopatias mais graves que ainda não podem ser tratados aqui”, ressalta a gerente do TFD. As estatísticas do sistema de informação do programa apontam que, em 2012, 1.174 pacientes foram atendidos e tiveram seus problemas resolvidos no Estado.
Na área de cardiologia somam-se 400 atendimentos, entre cateterismo e angioplastia com implante de um e dois stents - tubo metálico perfurado implantado na intenção de manter a artéria aberta. A especialidade de neurocirurgia realizou 343 procedimentos de aneurisma e tumor cerebral.
“Apesar de o Acre ter um bom relacionamento com os Estados de referência, às vezes, dependendo da especialidade, temos dificuldade para agendar a consulta ou cirurgia do paciente. Os Estados de referência para certas especialidades não atendem só os pacientes do Acre, mas do Brasil todo. A iniciativa do governador Tião Viana, desde a época em que era senador, de trazer parcerias em diversas áreas, garante ao paciente acesso aos serviços e menos tempo de espera”, comenta Monteiro.
Referência para outros Estados
Segundo a gerente Ediná, os investimentos na área de saúde são muitos e o Acre hoje é referência para outros Estados. Ela lembra que no mês passado a Central de Transplante do Acre recebeu um paciente e um doador de Rondônia para realizar um transplante de rim. O pai doou um rim para o filho que há mais de três anos sofria de insuficiência renal e fazia hemodiálise. Eles vieram realizar a cirurgia no Acre porque naquele Estado não são realizados nem captação nem transplante.
TFD intermunicipal
O relatório dos nove primeiros meses de 2012 apresenta dados consolidados indicando a resolutividades nos processos que deram entrada no TFD para atendimento dentro do Estado. Dos 4.843 processos intermunicipais, já foram atendidos 3.817, representando uma cobertura de aproximadamente 80%.

O trabalho do Programa Saúde Itinerante também é um dos responsáveis pelo sucesso da cobertura nos municípios. Durante os atendimentos do programa nas localidades de difícil acesso, são identificados os pacientes com necessidades de transferência para tratamento ou continuidade de tratamento médico especializado que não esteja disponível em seu município de residência. Em muitos casos não há a necessidade de deslocamento, pois a equipe do Programa Saúde Itinerante soluciona o caso no município de origem do paciente. Sem o trabalho realizado por essa equipe, a demanda seria maior.
De acordo com dados do TFD, dos 3.817 pacientes que estavam com processo de tratamento fora de domicílio formalizado, 1.287 foram atendidos pela equipe do Programa Saúde Itinerante. A secretária de Estado de Saúde, Suely Melo, diz que já está sendo estudada a possibilidade de implantar novos serviços para reduzir ainda mais o encaminhamento de pacientes para outros Estados. Segundo ela, com a inauguração do Into no Acre, que deve acontecer no próximo ano, toda a demanda na área de ortopedia será atendida aqui mesmo. O Acre será o único Estado, além do Rio de Janeiro, a ter um hospital de traumatologia.
Sobre o TFD
O Tratamento Fora de Domicílio é um programa do SUS destinado às pessoas que precisam de tratamento especializado não disponível na localidade de origem. Elas devem ser encaminhadas por médico da rede pública a partir da cidade onde residem para outra que tenha o serviço. O programa oferece consulta, tratamento ambulatorial, hospitalar e cirúrgico previamente agendado, passagens de ida e volta ao paciente e, se necessário, ao acompanhante, para que possa deslocar-se até onde será realizado o tratamento e retornar à cidade de origem, sendo também oferecida uma ajuda de custo.
Para ter acesso ao programa são necessários laudo médico, próprio do TFD, devidamente preenchido pelo médico solicitante, contato com o programa para providências e encaminhamentos e apresentação de documentação específica.


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